Município oferece atendimento diferenciado para estudantes com superdotação desde 2017

Professores da rede participam de formações para qualificar o ensino especializado

A qualidade do ensino é essencial para a Secretaria Municipal da Educação (Smed). É pensando nisso que, desde o ano passado, os professores receberam qualificações para trabalhar com um grupo diferenciado: alunos com altas habilidades/superdotação (AH/SD). Conforme um levantamento feito pela Smed, 12 crianças possuem AH/SD na rede municipal, que contempla um universo de 42 mil estudantes.

De acordo com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, crianças com AH/SD são aquelas que possuem potencial elevado nas áreas intelectual, acadêmica, de liderança, psicomotricidade, artes e de criatividade. Por isso, englobam o círculo de Atendimento Educacional Especializado (AEE). O processo de identificação desses estudantes e como recebê-los nas escolas é considerado complexo. No primeiro trimestre de 2018, a equipe de assessoria pedagógica da Smed participou do Curso de Aperfeiçoamento em AEE da Universidade Federal de Santa Maria, para aprender mais sobre as etapas e processos do ensino para AH/SD.

O segundo passo foi a capacitação dos professores de AEE para compreensão de conceitos e características. Também foram ministradas oficinas de formação para instrumentos avaliativos adequados e a mobilização para o atendimento dessas crianças. Durante o turno normal, o aluno recebe auxílio de um professor do AEE na sala de aula, junto ao professor regente, o que é chamado de docência compartilhada. No contraturno, o aluno com AH/SD recebe um atendimento especial na escola.

É o caso de Henrique Hoffman Souza, de 11 anos, aluno do 5º ano da Escola Municipal Carlin Fabris. Quando tinha três anos e meio, foi diagnosticado com AH/SD por ter aprendido a ler sozinho. Hoje, o pré-adolescente toca diversos instrumentos musicais, tem extrema facilidade na área de lógica e fala fluentemente a língua inglesa sem ter aprendido em cursos. “A escola foi fundamental e me surpreendeu com o tratamento do meu filho. Em poucos meses, as professoras já perceberam que ele tinha algumas habilidades que outras crianças não tinham. Elas o estimularam muito, sempre fazendo mais atividades para que ele progredisse. Ele se desenvolve muito a partir dos encontros que são feitos no atendimento especial”, afirma Ivanessa Hoffman Souza, mãe de Henrique.

A professora de AEE da instituição, Gislaine Freitas, explica que o trabalho é focado em estimular ao máximo os alunos. “Procuramos trazer desafios diferentes para eles, auxiliar durante as aulas na docência compartilhada. Além disso, focamos muito na parte interpessoal, nos preocupamos em ajudá-los a conseguir trabalhar em grupo e lidar com os outros colegas”, esclarece.

Para o estudante, o cotidiano na escola é prazeroso. Ele percebe que o trabalho tem o objetivo de incentivá-lo cada vez mais. “Eu me sinto bem, o atendimento é fácil para mim. Eles dão desafios realmente interessantes que me estimulam bastante, principalmente nas áreas de lógica e matemática. Na sala de aula também me sinto muito bem, tenho uma amizade muito forte com meus colegas”, afirma Henrique.

O foco da Smed é trabalhar para conseguir identificar esses alunos e incluí-los no cotidiano escolar com o auxílio que necessitam. “Sabemos que estamos iniciando a caminhada no que se refere ao olhar adequado para esses estudantes, visto que ainda precisamos trabalhar para derrubar mitos e preconceitos sobre as altas habilidades/superdotação”, destaca Daiane Siota, assessora pedagógica do AEE.

Assessoria de Imprensa – Smed 

Fotos: Carolina Canton